"Meu Pé de Laranja Lima"

Resenha: "Meu Pé de Laranja Lima"

25/08/2015 14:31

 

 

Editora: Livros Dinapress

Autor: José Mauro de Vasconcelos

Edição: 7

Número de páginas: 193

 

 

 

 

Sobre o autor:

José Mauro de Vasconcelos nasceu a 26 de fevereiro de 1920, em Bangu, Rio de Janeiro, no seio de uma família muito pobre. O escritor brasileiro, devido ao seu espírito irrequieto, venceu vários campeonatos desportivos, frequentou vários cursos, entre eles Medicina, Desenho, Direito e Filosofia, e trabalhou como pescador, professor, modelo, bailarino, empregado de mesa e mesmo como ator de cinema, teatro e televisão. Afirma que “ a literatura é a arte mais difícil, porque a palavra tem de dar ao todo a cor e as nuances  da pintura, o som e a harmonia da música, o movimento. Escrever é a maneira que encontrei para transmitir as minhas vivências, o bem e o mal, e um sentimento que anda muito esquecido: a ternura. E a vida sem ternura não vale nada.” Antes de morrer, em São Paulo, no dia 24 de julho de 1984, deixou publicadas dezenas de obras, sendo esta obra, Meu Pé de Laranja Lima, o seu Magnus Opus.

 

A obra:

Zezé é um rapaz de cinco anos muito inteligente, sensível, criativo e malandro… São muitos os que dizem que o rapazinho “tem o diabo no corpo”. A verdade é que mentiu para entrar na escola antes dos seis anos de idade e que se aplica para ser um ótimo aluno, mas a vida em casa é um pouco mais difícil. O pai encontra-se desempregado e a mãe trabalha dia e noite para sustentar a família numerosa. E é por causa destas dificuldades que a família se vê obrigada a mudar de casa.

 

Nesta narrativa fluida, o leitor vive com Zezé as suas travessuras e aventuras como “descobridor das coisas”, que lhe vão valendo umas grandes sovas como castigo. Afastando-se dos problemas que vivencia, a criança experimenta viver num mundo de fantasia, em que o seu grande amigo-confidente é o seu pé de laranja lima, Xururuca, que encontrou nos fundos da casa nova.

 

Mas a sua vida sofreu uma grande mudança! Zezé pregava uma partida num carro de um português rico, Manuel Valadares, que lhe bateu, em resposta à provocação. Assim, Portuga, como lhe chamavam, tornou-se o maior inimigo de Zezé. Bem, até ao dia em que o rapazinho se aleijou num caco de vidro, já que Portuga, aflito, o levou a uma farmácia para que o curassem. E foi aí que a situação mudou drasticamente, levando o próprio Zezé afirmar:

 

“(…) tinha acabado de descobrir  uma coisa importante. O Português tinha se tornado agora a pessoa que eu queria mais bem no mundo.”

 

A partir daí, este português foi como um pai para Zezé, em compensação pelo facto de o seu verdadeiro pai não lhe dar muita atenção, ignorando todos os esforços do pequeno de se aproximar dele. Com Portuga, tudo era diferente! Conversavam sobre tudo e mais alguma coisa, passeavam, cúmplices onde quer que estivessem!

 

Com a ajuda e a estabilidade de Portuga, Zezé deixou de ser tão “traquina”. Tudo parecia melhorar na sua vida. Zezé sentia-se feliz, mas a vida ensina demasiado cedo e o rapazinho de cinco anos acaba por descobrir a dor e a saudade.

 

Num dia que marcou a sua vida para sempre, Zezé recebe a notícia de que Portuga morreu, atropelado por um comboio, o Mangaratiba. Portuga morrera. O seu pai morrera! O seu pai de verdade, que gostava dele, que o amava, que brincava com ele, que não lhe batia, que não o maltratava!

 

“E papai falava (…) Meu coração se revoltara sem raiva. ‘Que quer esse homem que me pega no colo?’ Ele não é meu pai. Meu pai morreu. O Mangaratiba matou ele.”

 

Pessoalmente, considero a escrita fluida de José Mauro de Vasconcelos um ótimo incentivo à leitura, fazendo da obra um “pega-leitores” perfeito. “Meu Pé de laranja Lima”, adequado a todas as idades, é capaz de derreter o coração mais gelado, deixando as emoções á flor da pele. Ao longo da leitura vários choros e risos surgem naturalmente. Não se surpreenda se, inesperadamente, esboçar um sorrido genuíno ou uma lágrima veloz deslizar pelo seu rosto.

 

Esta obra chama as pessoas à leitura, fazendo-as encarnar esse menino travesso e inocente que sofreu imenso em tão tenra idade. O livro, do meu ponto de vista, deveria ser leitura obrigatória a todos os jovens e adultos!