Resenha: "A Mãe"

Resenha: "A Mãe"

28/10/2015 20:37

 

  Editora: Caminho.

  Autor: Máximo Gorki

  Edição: maio de 1986

  Número de páginas: 327

 

 

 

 

 

Sobre o autor:

Máximo Gorki, afinal pseudónimo de Aleksei Maksimovich Peshkov, para além de se dedicar a atividades relacionadas com a escrita, foi também elemento de movimentos ativistas de caráter político. Foi durante os anos de exílio que escreveu este romance…

 

A obra:

Em primeiro lugar, quero pedir desculpa pela demora na publicação desta resenha. Nunca tal aconteceu no blogue, mas esta obra prendeu-me por algum tempo e alguns percalços também surgiram…

 

Esta obra, contextualizada na Rússia do começo do século XX, inspira-se em manifestações reais do Primeiro de Maio de 1902 e no julgamento dos seus participantes. É a revolução de um povo, no seio de uma família que transforma a todos através da luta consciente pelos ideais socialistas.

 

A vida de operário, o fumo das fábricas, o cinzento sempre presente…o homem é o retrato da violência vivida: casam, têm filhos, enterram muitos, espancam, são espancados, morrem. E quando o serralheiro Mikhaíl Vlassov falece, restam a viúva e o filho já jovem, Pável. Uma relação quase desconhecida: não se falavam e quase não se viam…

 

Mãe: “Para que vivi eu? Pancadas… trabalho… não via nada a não ser o medo! Não vi como Pável crescia, nem sei se o amava quando o meu marido era vivo… não sei! Todos os meus cuidados, todos os meus pensamentos, resumiam-se a uma coisa: alimentar aquela fera (…) para que não se zangasse, não me ameaçasse com tareias (…) batia como se batesse não na mulher mas em todos aqueles a quem tinha raiva.”

 

Gorki leva o leitor pelo mundo da mãe, que descobriu que o filho fazia parte do grupo proibido pela sociedade do czar: os socialistas! A princípio o medo dominava-a, mas, depois esta acaba por concordar e perceber as razões daquela luta pela liberdade e igualdade, que os jovens sustentavam.

 

Esta adaptação vai sendo gradual: depois de descobrir os livros de Pável, a mãe alberga as reuniões secretas, ainda a medo, e acaba por dar asilo a Andrei, um dos revoltosos, com quem criou uma certa cumplicidade; mais tarde, passou a distribuir folhetos da causa e, quando o filho e Andrei foram presos, decidiu dedicar-se a essa atividade a tempo inteiro.

 

A vida da mãe alterou-se drasticamente. Vivendo no centro dos acontecimentos, cabem-lhe muitas tarefas importantes com as quais lida responsável e animadamente. Deixa de ser apenas a mãe e passa a desempenhar um papel ativo no grupo. Assim, Gorki estabelece um paralelismo peculiar entre o amor de mãe e o amor pela revolução.

 

Considero esta obra revolucionário a todos os níveis e de muitas perspetivas… Gorki, através da sua escrita, incendeia o leitor, sendo que, caso este se aventurasse a lê-lo durante a época, muito provavelmente desejaria, com todas as suas forças, pertencer ao movimento, por este “despertar” dos instintos revolucionários.

 

O próprio Lenine afirma que “É um livro necessário. Muitos operários participam no movimento revolucionário de um modo não consciente, espontâneo, e ler A Mãe ser-lhes-á de um grande proveito.”

 

Confesso que, inicialmente, me encontrava um pouco reticente quanto à leitura desta obra, que não é bem o meu género literário. Contudo, apreciei bastante a obra, marcada pela sua intensidade e coragem…