Resenha: "Tia Guida"

Resenha: "Tia Guida"

28/12/2015 19:52

 

 

  Editora: Chiado Editora.

  Autor: André Fernandes.

  Edição: 5.

  Número de páginas: 177.

 

 

 

 

 

 

Sobre o autor:

André Fernandes nasceu a 1 de Fevereiro de 1991, em Lisboa. Aos 21 anos de idade, licenciou-se em Ciências da Comunicação através da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Um ano depois, publicou a sua primeira obra, "Tia Guida".

 

A obra:

Quando solicitei este livro, nunca me passou pela cabeça o que nele descobri…  É claro que isto acontece sempre com um livro novo, de uma forma mais ou menos acentuada. Mas, desta vez, fui realmente surpreendido, e pela positiva…

 

Sabia que se tratava de cancro e, portanto, quanto ao tema, nada de novo. A diferença está na forma como este foi abordado.

 

O protagonista e narrador (o próprio autor, que fala na primeira pessoa) conta a história da sua tia Margarida, ou Guida, como lhe chamava, que enfrentou esta terrível doença, um cancro no estômago de grau IV com líquido tumoral… Ou seja, os médicos deram-lhe um “prazo”: não chegaria ao Natal desse mesmo ano (sendo que se encontravam em agosto)..

 

André começa por descrever o momento em que lhe é revelada esta notícia arrasadora, que deixou a sua família totalmente destroçada. Aos poucos, mostra o impacto que essa mudança de vida teve nele, no seu tio e, especialmente, na sua querida tia..

 

Momentos de sofrimento, onde a família acaba por encontrar os seus verdadeiros amigos…

 

“As grandes amizades fazem a diferença nas grandes crises”

 

Ao longo da obra, são-nos contados diversos acontecimentos, pensamentos, interrogações e puros devaneios..

 

Para além dos vários episódios, como algumas visitas a uma sessão de quimioterapia ou  mesmo o primeiro Natal “carregado” pela notícia (afinal, a “tia Guida” sempre o viveu!) algumas ideias e crenças do autor revelam-se, numa forma singela e de desabafo.

 

Ficam, por exemplo, a maneira de o autor ver as religiões ocidentais e orientais, duas peças do mesmo puzzle, que se complementam; a forma como acredita nas “coincidências” (e não nas coincidências), ou seja, acredita que nada acontece por acaso, tudo tem mão do destino, que tenta sempre, mesmo que pelas coisas más (ou menos boas, como costumava afirmar), trazer algo de bom, de amadurecimento para a vida.

 

Não penso que exista muito mais a dizer.. Na verdade, a narrativa não segue propriamente um fio condutor de narração, sendo que os episódios não seguem a linha do tempo, parecendo-nos, a início, (ainda que erradamente) que se trata de uma ordem completamente aleatória.

 

Mas porquê escrever e publicar esta obra? A resposta é-nos dada, de uma forma muito simples pelo próprio autor:

 

“No que a mim diz respeito, desde cedo entendi que só me sinto realizado se conseguir converter a minha experiência em lição partilhável e a dos outros em aprendizagem assimilável.”

 

É este o “cheirinho” de um livro que nos faz refletir e pensar… E se tudo acabar amanhã? Teremos a consciência de que vivemos e reagimos de forma correta e, acima de tudo, de uma forma que faça sentido para nós?

 

Boas leituras ;)

 

 

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